Se um dia te perguntarem o que sou eu para ti,
Não te atrapalhes, não te engasgues, não repitas
A ti próprio, como sempre meu amor :
“- Ó homem, pensa mil vezes no que dizes, no que fazes…”
Acompanha-me e verás, com toda a resolução,
Que essas questões satisfazes !
Experimenta coisa assim :
-Ela… ela, para mim ?!...
Hum… pois então,
Fora pão e seria a pequena porção,
Do fermento que o aumenta à medida desta mão.
Fora prato de sustento, tempero do alimento …
Se carne assada , a ardente malagueta, a queimar ao desespero…
No doce, o solitário marmelo, a macerar doce mel,
Em lume brando e câmara lenta …
E se dito tudo isto, não estejas livre da encrenca ,
Diz-lhe que por ser o sal do Mar
E ser do sonho o navio,
Ser do vento, o assobio,
E em casa santa, a água benta,
Te fui preenchendo a alma sobre as marcas da existência…
E se ainda assim te disser
Que não há quem lhe convença ,
Que amar não enche barriga.
Que a razão nunca ama e não o faz, porque pensa…
Diz-lhe, então, para que vencido saía, ainda assim
Por convencer, este pequeno segredo bem
juntinho ao seu ouvido:
A Vida é tal qual uma pastelaria de sonhos.
No seu decurso, ensaiamos receitas,
Outras, chegam-nos já feitas…
E guardamos o sabor que deixa em nós cada bolo! …
Contudo, por muito rica que seja
Qualquer massa acumulada em que
Fermentamos sonho, tudo só se completa
Quando em epílogo risonho
Uma simples cerejinha encima o topo do bolo !...
Que ninguém pois , jamais,
Pela opinião de outro alguém, se prive
da sua porção de Sonho!...
Maria Portugal
